Eu estava correndo pela manhã, enquanto o sol nascia no céu azul da Califórnia. Naquela hora, quase não havia ninguém na rua. Você aprende desde criança a não correr muito cedo, pela manhã, nem tarde da noite.

Acho que me esqueci das lições, as orientações de segurança que meus pais me ensinaram. Eles sabiam o que poderia acontecer. Eu levei meu documento de identidade, como minha esposa sempre me orienta a fazer quando saio. Durante a corrida, eu não estava preocupado com nada e me senti bem. Eu mal podia esperar para verificar meu ritmo em meu rastreador de fitness.

Então, aconteceu. Eu olhei ao longe e vi um homem branco, em sua varanda, tirando fotos de mim. Cada foto que ele tirava me deixava mais confuso. Eu disse: "Está uma bela manhã, não é?" como se ser respeitável me protegesse nessa situação ou fizesse com que ele finalmente me visse como um ser humano.

Ele não respondeu. Lá vamos nós de novo.

Meu medo rapidamente se transformou em raiva. Eu queria lutar por minha dignidade, ao ser fotografado por um estranho e ser informado de que não pertencia ao lugar onde estava. Patrulhado por um homem parado na varanda da frente. Ali, no sul da Califórnia, o fantasma de Jim Crow, ao estilo "O que você está fazendo aqui, crioulo?", apareceu.

Mas, no fim das contas, senti-me impotente. Eu não podia nem chamar a polícia, porque poderiam me confundir com o agressor. É com esse tipo de situação que os negros precisam lidar, enquanto outros podem desfrutar de suas corridas. ...

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