Desde o ano passado, a COVID-19 exigiu que todos nós nos adaptássemos das mais variadas maneiras. À medida que começarmos a dispensar as precauções da pandemia, a pressão para retornar à normalidade será forte. Ao mesmo tempo, faremos uma avaliação do que aprendemos: quais práticas queremos manter? Para jovens famílias cristãs, uma prática da pandemia em particular promete grandes frutos para o discipulado.

Como tantas outras famílias, também nós recorremos a quebra-cabeças para preencher nossas inesperadas horas de convivência. Em março de 2020, não era apenas o papel higiênico que começou a faltar. Em meio a tudo, havia também uma escassez de quebra-cabeças de mil peças. Com a corrida desenfreada por quebra-cabeças na Amazon, finalmente me dediquei a encomendar um num site de impressão sob demanda. Quando chegou, era de fato um quebra-cabeça de mil peças... mas cada peça tinha o tamanho de uma moeda de dez centavos. Você sabe do que a gente precisa no lockdown? De mais formas de ficar mal-humorado e frustrado.

Dito isso, um hábito que espero que nossa família preserve após a pandemia é o de trabalhar juntos em quebra-cabeças (de tamanho normal). Com relação ao constante quebra-cabeças que é discipular nossos filhos, a COVID-19 nos apresentou uma imagem clara e em tamanho real de uma maneira essencial de fazer isso, por meio da mídia inesperada dos cultos dominicais, transmitidos via streaming para nossa sala de estar.

Para muitas famílias jovens, no lockdown decretado por causa do coronavírus foi a primeira vez em que participaram juntos do culto de forma mais consistente, passando por todos os elementos da igreja, em vez de seguir o padrão habitual em que as crianças frequentam a programação infantil, enquanto os adultos participam do culto semanal.

Na minha própria igreja, assim que começamos a transmissão dos cultos, as crianças começaram a perguntar sobre o batismo e a Ceia do Senhor a taxas sem precedentes. Muitas crianças nunca tinham visto um batismo ou a Ceia do Senhor. Nas salas de estar por todo o país, as crianças fizeram orações comunitárias, ouviram a pregação da Palavra, testemunhos e uniram suas vozes as de seus pais em louvor a Deus.

Como meu minúsculo quebra-cabeça, esses cultos de adoração em família não foram isentos de frustração. As crianças podem ter se debatido, comido salgadinhos demais ou corrido em círculos pela sala de estar, mas algo inestimável estava acontecendo — as famílias estavam vivendo na prática as palavras do Salmo 34.3: “Proclamem a grandeza do Senhor comigo; juntos exaltemos o seu nome”(grifo nosso).

Pais devotados, que podem ter presumido que o filho não tiraria nenhum proveito do culto, aprenderam que isso era, na verdade, profundamente falso. Porque, para os filhos, não há nada que se compare a ver seus pais dando o exemplo de como adorar a Deus. Porque as crianças têm o direito de testemunhar e aprender com as ordenanças da igreja. Porque as crianças não são a igreja do amanhã; elas são a igreja de hoje.

Sou grande fã do ministério infantil. Eu o considero inestimável. Sou paga pela minha igreja para pensar em maneiras proveitosas para o ministério infantil. Mas deixe-me ser bem clara: embora a igreja para crianças seja um apêndice maravilhoso para a igreja dos adultos, ela é um péssimo substituto.

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Uma criança com idade suficiente para entrar no jardim de infância pode ser acolhida na grande igreja dos adultos com um pouco de orientação amorosa de pais que estejam determinados a discipulá-la. Se é verdade que “mais se aprende do que se ensina”, os pais deveriam valorizar seu exemplo de como adorar a Deus para seus filhos mais do que qualquer lição ensinada por um líder do ministério infantil da igreja.

Em certo sentido, a COVID-19 convidou os membros menores da igreja de hoje a adorar exatamente no lugar a que eles pertencem: com o restante da igreja. Parece que me lembro de alguém que fez algo semelhante, para a perplexidade de seus discípulos.

Quanto ao outro lado da pandemia, espero nunca mais encontrar prateleiras de supermercado totalmente sem papel higiênico. Ou quebra-cabeças. Ou Salgadinho Cheez-Its, sempre que estiver fazendo uma lista de compras. Mas espero que as peças do quebra-cabeça que se encaixaram no culto familiar compartilhado sejam mantidas e aprofundadas. Quando voltarmos ao normal, espero que não preservemos uma prática anterior à COVID que talvez não fosse tão boa quanto parecia.

Espero que mais famílias tragam crianças em idade escolar para o culto na igreja, além de enviá-las para a bênção que é a igreja voltada para o ministério infantil. Para as famílias, esse “comigo” da adoração é importante. Deixem vir os pequeninos — mesmo que se remexam e sussurrem. Eles são as peças que faltam para completar o quadro da igreja como família de Deus. Que eles sejam formados na casa do Senhor.

Jen Wilkin é esposa, mãe e professora de Bíblia. Ela é a autora de Women of the Word e None Like Him. Seu twitter é @jenniferwilkin.

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